Navegar no ciberespaço - o perfil cognitivo do leitor imersivo
15 Janeiro, 2008 de jaciara de sá carvalho
O título acima é do livro de Lúcia Santaella, que ganhei do meu orientador para as férias, “finitas”, por sinal. Livro sério, como a autora, professora da pós em Semiótica e Comunicação da PUC-SP, que o escreveu a partir de uma pesquisa financiada pelo CNPq. Nela, Santaella traça três estilos de navegação, correspondendo-os aos três tipos de raciocínio elementares, estabelecidos por Pierce (abdução, indução e dedução).
O ERRANTE: “aquele que navega utilizando o ponteiro magnético do seu instinto para adivinhar, isto é, movimentar-se orientado primordialmente pelas inferências abdutivas” (p. 178), que emboras sejam frágeis, são elas que concebem ao humano a capacidade de criar. ”… a abdução consiste em, diante de um fato surpreendente, chegarmos a uma hipótese que possa explicá-lo”(p. 100).
O DETETIVE: “aquele que, orientado por inferências indutivas, segue, com muita disciplina, as trilhas dos índices de que os ambientes hipermidiáticos estão povoados. Os resultados que alcança resultam do emprego de uma lógica do provável. (…) Seu percurso caracteriza-se, portanto, como um processo auto-organizativo próprio daquele que aprende com a experiência.” (p. 178). Podemos entender indutivo como um tipo de raciocínio que parte de um caso isolado para uma conclusão generalizada.
O PREVIDENTE: “se movimenta seguindo a lógica da previsibiliade. Por isso, é capaz de antecipar as consequências de cada uma das suas escolhas(…). Isso é possível porque a atividade mental mestra do previdente é a da elaboração. Por ter internalizado os esquemas gerais que estão subjacentes aos processos de navegação, adquiriu a habilidade de ligar os procedimentos particulares aos esquemas gerais internalizados”. (p. 17
Já sabe qual o seu estilo de navegação?
Se pensou em apenas um deles, se enganou.
“A classificação dos internautas nos três tipos: errante, detetive e previdente (…) não quer significar que o perfil cognitivo do internauta esteja dividido nessas três modalidades, uma excluindo a outra. Embora haja casos e situações, como por exemplo, o caso do usuário novato, o do leigo e do experto, em que um tipo predomina sobre o outro, a abdução no primeiro, a indução no segundo e a dedução no terceiro, os três tipos são linhas de força que agem de modo indissolúvel, no comando das inferências mentais, estas devidamente acompanhadas por processos sensórios, perceptivos, seletivos, decisórios e motores que lhes são correspondentes.” (p. 91)
Tá feito o registro.
Interessante a análise porposta, mas há alguma análise semelhante feito para o Usuário não intensivo, ou seja, os usuários comuns ?
Trabalho com Blogs Corporativos e Mídias Sociais, e estou desenvolvendo uma pesquisa para adequação das técnicas de marketing ao ciberespaço.
Acontece que a maioria dos perfis estão analisando o usuário intensivo, e não encontro muita coisa sobre o usuário comum ( um executivo de uma empresa, por exemplo ).
Você conhece algum trabalho ou pesquisador nesta área ?
Parabens pelo Blog.
Oi Claudio,
infelizmente não me lembro desse tipo de pesquisa neste momento… Se me lembrar, te aviso
Mas recomendo o site da Raquel Recuero para a sua investigação: http://pontomidia.com.br/raquel/
Vc já conhece?
[]s