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Arquivo da categoria ‘escola’

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46 anos de magistério. E o professor que se reunia com orientandos em cima de uma árvore, em plena São Paulo, aposenta-se. Moacir Gadotti deu sua última aula na Faculdade de Educação da USP na tarde desta sexta-feira (9/11/2007). “Valeu a pena e vou continuar trabalhando na área de Educação. Não existe instituição perfeita. Vejo que nestes 46 anos a felicidade não tem sido muito companheira da escola. Mas temos que buscá-la”. 

Gadotti levou nove anos para concluir o ensino superior, viveu com Paulo Freire em tempos de exílio e passou os últimos anos dividindo-se entre dar aulas, viajar o mundo e dirigir um instituto. Todo um esforço para fazer acreditar que ”Educar para um outro mundo possível” é mais que possível, é necessário. “A Educação não transforma o sistema. Transforma as pessoas que podem mudar o sistema”, disse pouco antes de receber da sua última turma cartões com mensagens e uma garrafa de vinho.

Com alguns alunos, foi para um bar, dentro do campus. Certamente um fim de tarde inesquecível, de risos e esperanças. Terminou com um abraço coletivo, em meio a árvores, e um desejo sussurado pelo professor: de que tivéssemos 46 anos de magistério felizes.

PS: Depois que alguns goles de Steinhäeger, parece que o professor aderiu à campanha Blog do Gadotti. Aguardem notícias!

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Moacir Gadotti é um homem planetário. 
Tornou-se um viajante por  “opção de vida”. “Uma vez fui à Europa, na época de estudante, só para conhecer o autor de um livro que eu havia lido. Paguei a passagem em 36 vezes.” Eis um conselho aos seus alunos: “nós temos que nos desterritorializar, criar possibilidades”. Hoje ele viaja não só por opção, mas por demanda da sociedade. E são tantas as viagens, tantas as histórias, que lanço a campanha Blog do Gadotti – ele riu da idéia, mas uma hora vai encontrar um tempinho para pensar a respeito (acredito, particularmente, que a tecnologia é grande arma para a difusão de novos discursos). Hoje nos contou três boas experiências, às quais poucos têm acesso (por isso, o blog, oras).
Eis uma:

Ontem, esteve reunido com professores e sindicalistas das prefeituras da baixada fluminense (RJ). Tema: Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). “Mas eu disse a eles que não tinha conhecimento suficiente para debater o assunto.” Então foi para abrir o grande encontro, tratando de políticas públicas e seus planos de Educação (que por sinal, não deram certo). Depois que terminou – aposto que num tom otimista, como sempre – disseram-lhe:
“Agora o senhor vai ouvir”.

Desceu do palco e logo formou-se uma fila de pessoas para falar. O desabafo daqueles professores foi tão cruel e desanimador que o deixou impressionado (e isso não é força de expressão). Os professores da baixada fluminense são constantemente ameaçados de morte por traficantes. Não podem tratar de violência, marginalidade e de drogas com seus alunos. Alguns já foram mortos por desafiar o tráfico – há, inclusive, bandidos entre vereadores de algumas cidades. “O espaço da escola é o da construção da realidade e do sujeito. Mas eles sequer podem falar de violência!”

O professor da USP, que participa da organização dos Fóruns Social Mundial, que dirige o Instituto Paulo Freire (de quem é hoje o principal discípulo) entendeu, então, o porquê das frases escritas na lousa: “Não ao PDE”; “Não ao PEE” – plano estadual de Educação. E os comparou a Mefistófeles – o diabo de Goethe – que tudo nega.  Para eles, é preciso recomeçar do zero, acabar com toda a situação em que vivem.

Diante das histórias que ouviu, concluiu: “essa geração de alunos é uma geração perdida. Não tem mais saída. A dívida educacional é tão grande que vai demorar décadas para que ela seja paga”. Se for. Por isso, é preciso uma nova lógica, uma nova lógica de mundo. E “Educar para um outro mundo possível”, título de seu último livro.

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“Em todo o mundo neste momento há um movimento de esforço para redefinir quais devem ser essas competências. Há um consenso no sentido de que as competências necessárias para exercer a cidadania no mundo atual não são as mesmas de 20 ou 15 anos. E são principalmente as relacionadas com a mundialização cultural, da nova economia do conhecimento, dos fenômenos de tipo social que exigem isso. São, basicamente, competências cognitivas para que o aluno tenha autonomia, auto-aprendizagem, capacidade para seguir aprendendo, para adequar-se a situações, para absorver problemas e resolvê-los de maneira independente. São competências comunicativas e informativas, fundamentais hoje. A outra parte são as competências emocionais, num mundo interconectado, onde as relações sociais são intensas. A capacidade de se colocar no lugar do outro, poder interpretar o outro e a si mesmo, e de se equilibrar. A grosso modo, porque cada um diz em palavras diferentes, são esses grupos de competências os essenciais a serem incorporados hoje, mais até do que as clássicas, escolares, acadêmicas, que são as preocupações até hoje dos parâmetros.”

César Coll é diretor do Departamento de Psicologia Evolutiva e professor da Faculdade de Psicologia da Universidade de Barcelona; consultor do MEC entre 1995 e 1996, colaborou na elaboração dos Parâmetros Curriculares
Veja a íntegra da entrevista no Estadão

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Hoje foi a premiação do Concurso Internacional EducaRede: Internet e Inovação Pedagógica. Quatro professores que apresentaram projetos desenvolvidos na rede pública ficaram em primeiro lugar (já que eram quatro categorias). Gládis Leal dos Santos, do blog Palavra Aberta, foi uma delas – saiu de Joinville (SC) com o pé engessado para saber se ganharia uma viagem à Madri. Conhecida na blogosfera pela capacidade de articulação, seu projeto levou ao blog professores e alunos de vários estados, numa rede de colaboração. É um grande exemplo de uso pedagógico de blogs. 

Impressionou-me a auto-determinação das professoras nordestinas que estavam entre as premiadas. Maranhão, Sergipe e, principalmente, Ceará lutam contra a falta de recursos e a distância dos grandes centros para inovarem.  E o descaso profissional? Uma delas comentava o não reconhecimento de seu trabalho junto à secretaria, que sequer se manifestou quando informada de que uma docente da rede era finalista de um prêmio internacional. Êta falta de estímulo!

É coragem pra todo lado. Até o professor aposentado da USP José Manuel Morán, em sua participação no evento, contou como era caçoado pelos colegas nos idos dos anos 80 e 90. Diziam que ele (na USP!) não ganhava remuneração extra para trabalhar com tecnologia…. Levar os alunos para o laboratório era sinônimo de matar aula. “Ser inovador tem seu preço. Significa incomodar aqueles que não querem ser incomodados”, disse. E concluiu: “O que me mantem vivo é aprender“. Alguém discorda?

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Ontem, participei do Fórum Mundial de Educação Alto Tietê, em Mogi das Cruzes (SP). Foi uma experiência enriquecedora, mas diferente da que eu esperava. Acabei imaginando que o FME fosse uma espécie de Fórum Social Mundial – que não participei, formei uma idéia a partir da fala e leitura de outros… idéia inadequada, diria o filósofo Espinosa. Pareceu-me um reunião de palestras e, como estavam espalhadas em universidades e outros prédios, ficávamos meio longe uns dos outros. Bem na verdade, acho que não vivi ainda a experiência de um Fórum.

Mas valeu, e muito! Não só por conhecer um pouco da Educação indígena única e inovadora que está sendo realizada no Alto Rio Negro, norte do Amazonas. Não só por saber como um professor israelense mudou a educação de uma cidade abrindo espaço para uma real escola democrática, que respeita as diferenças e concentra seus esforços na singularidade de cada aluno. Mas também porque fiz amizades e por meio delas fiquei sabendo, por fonte direta, como é a Educação Especial dos portadores de deficiências e o que acontece em uma creche no meio de uma favela comandada pelo PCC na minha própria cidade. Uma realidade tão próxima, tão distante…e triste e revoltante.

Acho que a maior riqueza desse tipo de encontro é a aprendizagem de novas realidades, do respeito ao outro, da necessidade de se compreender e valorizar o diferente, de como precisamos criar novos Modelos Organizadores de Pensamento. Seria a tal cidadania planetária? O que sei é que um único dia ao FME daria pra escrever muito posts… Tempo, tempo, tempo, como controlar-te?

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Este é o título do novo livro do prof. da FE/USP Moacir Gadotti, “herdeiro” e diretor do Instituto Paulo Freire. Gadotti se aposenta neste ano – tenho o privilégio de estar na sua última turma de pós.  O que fará depois? Trabalhar para mudar o mundo, como sempre fez, sendo educador e participando ativamente da organização das edições do Fórum Social Mundial e, assim, do Fórum Mundial de Educação (FME) do Alto Tietê, que acontece entre 13 e 16 de setembro em Mogi das Cruzes (SP).

As discussões giram em torno de 4 eixos:

1.Educar para a sustentabilidade do planeta
2.Protagonismo: responsabilidade social na educação contemporânea
3.Prática em educação: os cenários da diversidade
4.Políticas públicas em educação: efetivando e concretizado direitos?

Preparando-me para o FME, comecei a ler o livro Educar para um Outro Mundo Possível, já que o subtítulo é: O Fórum Social Mundial como espaço de aprendizagem de uma nova cultura política e como processo transformador da sociedade civil planetária.

Vamos conhecer de perto o Fórum, tão inspirador no papel.

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Fui acompanhar umas oficinas nesta semana e nada mais concreto do que estar com outros professores, outras realidades. A oficina era sobre busca na web. Pensava eu que seria sobre como orientar os alunos e as questões referentes ao ensino (minha pesquisa, por sinal). Mas não foi o tema predominante. Os professores – 90% deles eram supervisores e coordenadores da rede pública de vários municípios de SP - não sabiam buscar. Uns foram bombardeados por milhares de informações, por não saberem refinar a busca. Outros se perderam, mas descobriram a delícia de encontrar informações que encantam, embora sem qualquer relação com o tema da pesquisa. 

É… há muito por fazer. Mas, como escrevi no comentário do post abaixo, toda mudança tem que ser absorvida e isso não é da noite para o dia, nem ao mesmo tempo em todos os lugares.

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Todo mundo tem uma resposta na ponta da língua.
Encontrei em “MORENO et al”, e seus Modelos Organizadores do Pensamento, mais uma vez, um trecho que também poderia responder esta pergunta. Mais do que isso, fazer-nos refletir sobre as situações/dados que propositadamente queremos ignorar:

“(…) aquilo que não se compreende se rechaça e o que se rechaça não se considera pertinente e não se inclui, portanto, no modelo organizador (do pensamento); com isso não faz parte da realidade subjetiva individual, esta que tão freqüentemente costumamos confundir com a realidade objetiva universal”. (p. 366)

Realidade objetiva, segundo as autoras, é a que nos serve de referência. A realidade subjetiva seria a que cada um de nós é capaz de compreender sobre a anterior.

COMO TORNÁ-LO FAVORÁVEL?
Proporcionando ao professor um outro ponto de vista?

“Esses dados que o sujeito parece evidentemente ignorar podem, porém, de imediato tornar-se significativos para ele se uma circunstância qualquer (…) fizer com que contemple o mesmo fenômeno a partir de outro ponto de vista e isso o leva a elaborar outro modelo a partir da mesma situação. Basta para isso que considere outros dados que antes não tinha considerado e relacione-os de uma nova maneira.” (p. 364)

E POR QUE TORNÁ-LO?
“As ações do indivíduo são conduzidas não por uma tentativa de adaptação à realidade objetiva, mas pelo que cada um acredita que esta é, ou seja, a sua realidade subjetiva.” (p. 370)

Pra terminar…
“PARA CADA UM SÓ É VERDADE O QUE ACREDITA E SÓ É POSSÍVEL AQUILO QUE É CAPAZ DE IMAGINAR.” (p. 370)

Veja referência bibliográfica no post abaixo, onde se explica o que é “modelo organizador”.

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