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Archive for the ‘Web’ Category

O título acima é do livro de Lúcia Santaella, que ganhei do meu orientador para as férias, “finitas”, por sinal. Livro sério, como a autora, professora da pós em Semiótica e Comunicação da PUC-SP, que o escreveu a partir de uma pesquisa financiada pelo CNPq. Nela, Santaella traça três estilos de navegação, correspondendo-os aos três tipos de raciocínio elementares, estabelecidos por Pierce (abdução, indução e dedução).

O ERRANTE: “aquele que navega utilizando o ponteiro magnético do seu instinto para adivinhar, isto é, movimentar-se orientado primordialmente pelas inferências abdutivas” (p. 178), que emboras sejam frágeis, são elas que concebem ao humano a capacidade de criar. “… a abdução consiste em, diante de um fato surpreendente, chegarmos a uma hipótese que possa explicá-lo”(p. 100).

O DETETIVE: “aquele que, orientado por inferências indutivas, segue, com muita disciplina, as trilhas dos índices de que os ambientes hipermidiáticos estão povoados. Os resultados que alcança resultam do emprego de uma lógica do provável. (…) Seu percurso caracteriza-se, portanto, como um processo auto-organizativo próprio daquele que aprende com a experiência.” (p. 178). Podemos entender indutivo como um tipo de raciocínio que parte de um caso isolado para uma conclusão generalizada.

O PREVIDENTE: “se movimenta seguindo a lógica da previsibiliade. Por isso, é capaz de antecipar as consequências de cada uma das suas escolhas(…). Isso é possível porque a atividade mental mestra do previdente é a da elaboração. Por ter internalizado os esquemas gerais que estão subjacentes aos processos de navegação, adquiriu a habilidade de ligar os procedimentos particulares aos esquemas gerais internalizados”. (p. 178)

Já sabe qual o seu estilo de navegação?
Se pensou em apenas um deles, se enganou.

“A classificação dos internautas nos três tipos: errante, detetive e previdente (…) não quer significar que o perfil cognitivo do internauta esteja dividido nessas três modalidades, uma excluindo a outra. Embora haja casos e situações, como por exemplo, o caso do usuário novato, o do leigo e do experto, em que um tipo predomina sobre o outro, a abdução no primeiro, a indução no segundo e a dedução no terceiro, os três tipos são linhas de força que agem de modo indissolúvel, no comando das inferências mentais, estas devidamente acompanhadas por processos sensórios, perceptivos, seletivos, decisórios e motores que lhes são correspondentes.” (p. 91)

Tá feito o registro.

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1.000 VISITAS!!!

Nesta semana, atingimos a marca de mil páginas vistas.

O que dizer? Muito obrigada a você!

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pierre-levy.jpgDiferentemente de Andrew Keen (no post abaixo), Pierre Lévy sempre “botou a maior fé” na colaboração em rede e na Inteligência Coletiva, termo que ele próprio cunhou. Enquanto trabalha no desenvolvimento da Web Semântica – uma linguagem que possa ser reconhecida por qualquer computador, ultrapassando a barreira das línguas naturais – o principal filósofo da cultura virtual esteve no Brasil na semana passada.

Entre as várias palestras que deu, Lévy reuniu-se com um grupo para um encontro-laboratório. Eu estava lá e, além de conferir a simpatia do professor da Universidade de Otawa (Canadá), e fazer pergunta (claro!), produzi uma materinha com alguns dos pontos que julguei mais importantes. A foto (ao lado) o Zé que tirou. Tá lá no EducaRede.

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Andrew Keen, um dos pioneiros da internet na Califórnia dos anos 90, foi entrevistado pela Revista Época recentemente. “Hoje, Keen é um cético, uma voz dissonante daqueles que se empolgam com o conteúdo produzido e divulgado por qualquer internauta. Tornou-se um dos críticos mais vocais desse fenômeno, conhecido como web 2.0. Em seu livro The Cult of the Amateur (O Culto ao Amador), ele diz que a web 2.0 nivela por baixo a produção, piora a qualidade da informação e ameaça a cultura. ‘Há muita picaretagem na internet’, afirma.  Veja alguns pontos polêmicos:

  • Eles (os jovens) acreditam em tudo o que lêem, então me preocupo que a blogosfera se torne forte numa sociedade em que as crianças não fazem a menor idéia de como ler “através” das notícias.
  • Na mídia tradicional há meios de checagem. Se você não é anônimo, todos sabem quem você é, para quem você trabalha. No mundo on-line, não sabemos quem são essas pessoas que operam em sites como Digg.com (o site que estabelece um ranking de notícias interessantes com base no voto de internautas), Reddit ou Wikipédia. Elas poderiam estar num programa do governo, numa organização terrorista, numa corporação, como Wal-Mart ou Exxon Mobil, colocando conteúdos no YouTube, na blogosfera, fingindo que isso é independente. Isso nos deixa à mercê de uma nova oligarquia, num mundo onde é mais difícil checar a verdade que na mídia tradicional.
  • Há muita picaretagem sobre a web 2.0. As três palavras que representam as maiores picaretagens na internet são os “3Cs”: conversação, colaboração e comunidade. É por isso que escrevi meu livro. Para dizer: “Olhe, a maior parte disso não é verdade, é apenas bobagem, é picaretagem, lixo”.

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imagem-da-parte-1.jpgRoger Chartier, já comentado neste blog, concedeu uma entrevista à revista Nova Escola publicada neste mês. Chartier afirma que a internet pode se transformar em aliada dos textos por permitir sua divulgação em grande escala. O francês é um dos mais reconhecidos historiadores da atualidade. Professor e pesquisador da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e professor do Collège de France, ambos em Paris, também leciona na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, e viaja o mundo proferindo palestras. Abaixo, destacamos a última pergunta da entrevista, que tem a ver com nosso projeto de pesquisa.

É muito fácil publicar informações falsas a internet. Como evitar isso?
CHARTIER: A leitura do texto eletrônico priva o leitor os critérios de julgamento que existem no mundo impresso. Uma informação histórica publicada num livro de uma editora respeitada tem mais chance de estar correta do que uma que saiu numa revista ou num site. É claro que há erros nos livros e ótimos artigos em revistas e sites. Mas há um sistema de referências que hierarquiza as possibilidades de acerto no mundo impresso e que não existe no mundo digital. Isso permite que haja tantos plágios informações falsas. Precisamos fornecer instrumentos críticos para controlar e corrigir informações na internet, evitando que a máquina veja um veículo de falsificação

Quais seriam esses instrumentos?

Leia a íntegra da entrevista. E, para provar que Internet e livros podem ser aliados, Chartier autorizou a revista a publicar trechos de seu novo livro A Aventura do Livro. A imagem acima é reprodução da parte 1: um São Jerônimo, de Theoderich von Prag. Isso é que é aliado…

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Fui acompanhar umas oficinas nesta semana e nada mais concreto do que estar com outros professores, outras realidades. A oficina era sobre busca na web. Pensava eu que seria sobre como orientar os alunos e as questões referentes ao ensino (minha pesquisa, por sinal). Mas não foi o tema predominante. Os professores – 90% deles eram supervisores e coordenadores da rede pública de vários municípios de SP – não sabiam buscar. Uns foram bombardeados por milhares de informações, por não saberem refinar a busca. Outros se perderam, mas descobriram a delícia de encontrar informações que encantam, embora sem qualquer relação com o tema da pesquisa. 

É… há muito por fazer. Mas, como escrevi no comentário do post abaixo, toda mudança tem que ser absorvida e isso não é da noite para o dia, nem ao mesmo tempo em todos os lugares.

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snack_2.jpg“Filmes, músicas, séries de TV e gibis ganham tamanho reduzido para consumo instantâneo, batizado de ‘snack culture’*”, diz reportagem da Folha de S. Paulo. Eu diria mais: quase tudo é assim publicado porque a redução seria  característica principal das publicações na web. Há abundância, mas há simplificação.

“Tanta sede pelo entretenimento instantâneo é conseqüência da sociedade de consumo, segundo Gabriela Borges, professora de ciências da comunicação da Universidade do Algarve, em Portugal. ‘Os produtos culturais são feitos para serem rapidamente consumidos a fim de que novos sejam produzidos’, afirma.”

Com as informações seria diferente? Para o jornalista Marcelo Tas, não. “A febre não atinge só o entretenimento, mas a informação, a comunicação e até a vida afetiva”. Concordo com ele. Principalmente quando diz que a “snack culture” funciona como um “índice para o internauta decidir onde vai gastar seu tempo“. 

É uma questão de sobrevivência na web. Com tantas opções/ informações, acaba sendo improvável um contato prolongado com uma publicação no momento em que se seleciona onde gastar o tempo.

É um desafio para nós, editores, escrever algo reduzido, mas que contemple a complexidade (será possível Morin?). Para nós, educadores, desenvolver com o aluno uma capacidade de seleção que vá além da intuição. E para  nós, internautas, sabermos onde e em que momento de nossas vidas aplicar a “snack culture”, que aparece aqui, neste post.

 *Termo difundido pela revista Wired, especializada em tecnologia.  Folha de S.Paulo, 17/6/07  p.E10.

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